sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O Adeus ao Poeta do Concreto

Na noite de quarta-feira, recebi uma notícia que já esperava, mas que sabia que iria me impactar de qualquer maneira. Naquela noite um dos meus ídolos morrera, um ídolo que não era cantor, não era ator, não era pintor, e sim um arquiteto, um arquiteto poeta.
Oscar Niemeyer representava para mim criatividade, notoriedade, um grande brasileiro e acima de tudo, exemplo de vida. Aos 104 anos ele continuara a trabalhar e nunca anunciou a intensão de parar. Era perceptível, em Niemeyer, a preocupação de contribuir para a humanidade.

De todos os exemplos que Niemeyer deixou, o que irei levar com mais esmero, com certeza, é o amor ao que se faz. Nenhum projeto como o Palácio do Planalto ou o Museu Oscar Niemeyer seria possível se o arquiteto não tivesse amor ao que faz. E essa lição levarei por toda a vida.
Outro ponto onde eu me identificava com Niemeyer é que ele sempre lutou da maneira que pode por um país melhor, seja desenhando, encarando corruptos ou falando. "Projetei Brasília em forma de avião, mas por sua vontade teria desenhado em forma de camburão", disse. 

E o "Poeta"  citado no título do post, não é em vão. Niemeyer, como poucos sabem, escrevia poemas. E não poderia encontrar maneira mais singela e adequada de agradecer e dizer o meu adeus a um ídolo, do que citando sua própria arte. 

O Poema da Curva

Não é o angulo reto que me atrai
Nem a linha reta
Dura inflexível
Criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual
A curva que encontro nas montanhas do meu país
No curso sinuoso dos seus rios
Nas ondas do mar
No corpo da mulher preferida.

Oscar Niemeyer

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