Minha casa está bagunçada, meu corpo está sujo e minha mente está embaçada. Percebi que a cada dia que passa, estou mais perto dos meus objetivos e mais perto da única certeza humana.
Hoje é um dia como outro qualquer. E em um dia como outro qualquer, eu nasci. E em alguns momentos estará completando dezessete anos desde o meu primeiro choro.
Há dezessete anos, chorei porque meus pulmões estavam se abrindo, permitindo que o ar entrasse. E hoje choro por que meus olhos se iluminam, minha mente se abre e minhas asas se estendem.
Como um viajante sonhador, estou caminhando rumo ao horizonte, que cada vez mais se distancia. Isso me abala, mas não me faz parar. Em vez disso, me dá outra percepção sobre o tamanho do mundo. E eu continuo no mesmo caminho. Dando um passo para frente e um passo para dentro.
Não me perco mais, pois quando acontece, grito, e alguém me ouve e me acho de novo. Meu grito está se tornando forte e bonito. E como um filho bem criado, hoje me orgulho.
Tenho saudades de quem não conheci, de momentos que ainda não vivi. As fotos que agora realçam minha memória, amanhã estarão mais amareladas na medida em que minhas lembranças e minha visão se dissiparem.
Mas hoje, especialmente hoje, tenho que ser feliz. Vou forjar a felicidade ao ponto que eu consiga me enganar. Vou sorrir, vou cantar, vou brindar.
Não quero acordar amanhã e me arrepender por não ter aproveitado. Pois sei que assim que o sino da meia-noite soar, as palmas cessarão, os rostos daqueles que amo se virarão e a vela se apagará. E assim estarei vivendo mais um dia como outro qualquer.
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