terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sopros

Portrait of Maurice Raynal - Juan Gris


Faz sol lá fora. Neste momento estão todos quentes, mas eu continuo coberto. Pois aqui dentro ainda está frio. Minhas janelas estão fechadas, mas continuo ouvindo barulho e respirando esse ar que ainda não sei como é. Porém o respiro como um recém nascido que se alimenta do leite materno.

Ninguém me conhece, sou infiel. Minhas verdades são soltas ao vento. Eu esqueço meus segredos e mantenho a minha real face encoberta.

Contudo, para poder saber que estou realmente aqui e que não me perdi em uma criação, - pois é difícil perceber algo quando se está constantemente presenteado com - então, algumas vezes sopro afim de retribuir o ar que respiro e que o mundo possa saber que estou aqui, que vivo e que sou grato.

Posso não ter um grande amor, nem ser muito amado, mas faço destes sopros entre as batidas do meu coração, algo bonito de se ouvir. Pois isso é e será aquilo que saberás de mim.

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