domingo, 27 de janeiro de 2013

A Caixa


Nós quase sentimos o sentimento de que tanto se fala. Você anunciou ser rei mas eu não podia ver sua coroa, talvez ela estivesse ali. Onde estaria? No castelo adiante que eu dizia ser meu mas que nunca habitei. A matéria nunca justificou nossas almas.

Sempre precisei de algo além de mim, alguma coisa como uma fortaleza, mesmo que seja de papelão, que é o mesmo da feita de concreto, desde que se reze para que não chova. As chuvas foram feitas para os humanos e não para as coisas deles. E que haja a caixa.

Caixas, belas criaturas. Ora quadradas, ora retangulares. Mais baixas, mais largas. Mais altas, mais finas. As vezes de papel, outras de madeira ou até de minério. Há aquela caixa feita de carne e ossos, que abriga o meu coração. Não importa o jeito nem o material. O importante é que são caixas. Pois sendo caixas, elas guardam algo. Assim como eu. Que pode ser um presente, uma alegria, um rancor, um segredo ou até um coração.

Todos deveriam ter direto a uma caixa. A pele, o gesso, a musica, a tesoura, o espelho, o meu amor... pelo menos assim, saberia onde encontra-los quando me cabesse. A caixa deveria ter uma caixa.

E para justificar só tudo isso, volto a minha.

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