sábado, 19 de janeiro de 2013

21/12/12


Hoje esperei despretensioso pelo fim do mundo. Esperei furacões, tsunamis, abalos sísmicos e todo e qualquer tipo de catástrofes. Mas nem sempre o inimigo é aparente. As vezes precisamos lutar com unhas e dentes contra um vilão que nem ao menos podemos ver.

Mas mesmo que tudo continuasse como sempre. Algo mudou. E a mudança não foi no cenário como imaginei, e sim no ator, que é apenas um coadjuvante, mas que nesse drama é o protagonista.

Sem explicações foi privado de ver as cores das borboletas, o verde das folhas, o cinza do concreto e o vermelho do sangue. Foi retido em si mesmo, pois naquele momento havia perdido o sentido.

A porta se fechou. Os sábios disseram mesmo que o mundo iria acabar. Nesse momento todos caçoam. Mas o que poucos percebem é que essa é a maior obviedade de todas. Pois o mundo acaba todos os dias, só depende da perspectiva que se enxerga.

O coração pulsa, os pulmões aspiram e inspiram e o cérebro compõe. É verdade. Mas essa morte te embala, te derruba e te coloca em próprio luto. As outras mortes são consequências.

A única decisão a ser tomada agora é se ainda existe vontade de sentir o cheiro das manhãs. Se ainda gosta de degustar todos os sabores do prato favorito. E se ainda sente prazer em sentir a pele quente do amado, te desarmando, te levando para ele como uma onda mansa.

Além de sua própria muralha de defesa, existem pilastras que te sustentam, e elas continuam te sustentando. Pois o fim não é quando te dizem que acabou e sim quando você anuncia que o seu mundo caiu.

texto escrito em 21/12/12.

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