domingo, 13 de janeiro de 2013
No Outro Lado da Rua
Estamos em um mundo bondoso e justo. As desigualdades não existem e as diferenças são bem aceitas. Nossas sementes germinam, nosso gado engorda e nossas crianças sorriem. Não há motivos para sangrar
Mas eu um canto, escorado pelas paredes, está um homem, um homem que chora, que soluça incondicionalmente e declama um som tão comovente que arde os ouvidos.
Não há motivos para esse homem chorar. Não é possível pergunta-lo porque chora, não sei se ao menos ele saberia responder. Mas se reparar bem, esse homem está do outro lado da rua.
Lá é escuro, lá não chove, lá não floresce. As crianças correm do medo. Não há sombra, não há um deus para olhar por ele.
Estamos a um palmo de distância, mas enquanto minha família sorri ao redor de uma mesa farta, o homem chora e me olha, com desejo. Ele sonha em ser eu, que sou o mesmo do que ele.
A noite vai cair, fecharei minhas janelas e portas e o outro lado da rua, a um palmo ou mil milhas de distancia ficará menos visível. Os pássaros voltarão a cantar, o sol a brilhar e a chuva a limpar, pelo menos desse lado.
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