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| foto: arquivo pessoal |
Na décima primeira edição do Jornal O Duque, sobre o tema "política", contribuí na coluna give me a HUGGY com "Cinquenta tons de democracia", onde exponho um texto sobre a representatividade democrática e a relação de "representação de gênero" (mulheres e LGBT). Falar sobre pauta tão urgente significou para mim uma grande satisfação, pois são poucos os veículos de comunicação que abrem espaço para tal assunto. Para minha felicidade, na mesma edição, fui brindado com um texto de Zé Flauzino sobre identidade de gênero em que ele cita minha prática indumentária (meu vestuário) como referência para sua reflexão.
A resenha "Vinícius veio de vestido" é um texto total didático e inseri os leitores ao tema, mesmo que não dito; expressão de gênero. Flauzino fez em seu texto uma relação histórica que gosto muito de estabelecer; acreditamos que a história da mutação dos guarda-roupas das mulheres expressa a dificuldade do senso comum em conceber a simples possibilidades de vestimentas então "adversas" ao gênero destinado.
Conhecemos, contudo pouco lembramos, a história de luta das mulheres pelo uso das calças. Hoje não é recorrente mulheres sofrerem represálias por usarem uma peça que divide suas pernas, mas isso se dá graças a resistência das mulheres do início do século passado, que foram proibidas - legalmente - de usarem calças em público e persistiram.
Na história dos avanços das liberdades da humanidade, sobretudo no recorte após o movimento mercantilista, todas as conquistas foram sempre calcadas em alguma questão econômica que a impulsione. O mesmo acontece na relação entre as mulheres e as calças compridas, uma vez que as mulheres precisavam dessa peça que favorecia o trabalho industrial, o que explodia na época (inicio do séc. XX) da inserção do trabalho feminino vivia grandes êxitos. Pronto, as mulheres podem usar calças.
Na história dos avanços das liberdades da humanidade, sobretudo no recorte após o movimento mercantilista, todas as conquistas foram sempre calcadas em alguma questão econômica que a impulsione. O mesmo acontece na relação entre as mulheres e as calças compridas, uma vez que as mulheres precisavam dessa peça que favorecia o trabalho industrial, o que explodia na época (inicio do séc. XX) da inserção do trabalho feminino vivia grandes êxitos. Pronto, as mulheres podem usar calças.
Acredito que se fosse favorável ao sistema econômico ter homens usando saia, seria muito maior a adesão da peça, bem como a difusão dessa possibilidade ao senso comum. Mas, felizmente ou não, essa não é uma realidade e me sinto desafiado. Aos homens, usar saias não significa apenas um novo visual, mas também enfrentar a masculinidade patriarcal e o enfrentamento das imposições do sistema capitalista.
Pensar e repensar a maneira que nos apresentamos ao mundo é elaborar a mensagem que temos a passar. Me preocupo quando falo sobre vestuário e a relação de expressão de gênero. Por exemplo, procuro não me referir a saia, ou vestido como um vestuários femininos, bem como não me refiro as calças ou camisas como vestuários masculinos. Gosto da ideia de que roupas não possuem sexo e assumo a responsabilidade destas definições a um pensamento social retrógrado e limitado, pensamento este que deve ser abolido para avançarmos passos em direção a uma sociedade mais livre e igual. Ainda é uma dificuldade pensar que as pessoas são amplamente livres, que podemos usar o que gostamos, amar quem se amamos, e ultrapassar qualquer tipo de restrição e o guarda-roupas pode ser uma ferramenta para tanto. E é por isso que eu fui e vou de vestido sim, porque posso, porque é libertador.
Para ler "Vinicius veio de vestido", leia O Duque:

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