quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Alimento


O menos óbvio é sempre a solução. Se estou enfermo, antiácidos e analgésicos não são a solução. Talvez a criança apenas precise brincar um pouco.

Minha escrita é minha cura. Portanto, quando cravo minhas palavras, deixo inconscientemente meus monstros e demônios, e assim eles partem, eu revigoro e a fase passa. Por isso não sou o mesmo da linha passada e não serei o mesmo na linha seguinte.

Estou me alimentando agora, mais não possuo pratos, nem talheres, tão pouco alguma comida. Meu alimento é real. E mesmo com essa aparência branca e lisa, é muito difícil a digestão.

Há aqueles que passam fome. Aqueles que comem o cordeiro mas definham pelo resto da vida, sem ao menos colocar um alimento em suas almas.

Você pode considerar-me canibal, pois como da minha própria carne e bebo do meu próprio sangue, e de alguns que se arriscam ao mesmo estilo de vida. Mas a verdade é que a minha dieta é eterna, auto-suficiente e prepotente.

Se não fere será ferido. Se não come a carne em breve será engolido. Deixo essa herança para ser comida, para ser digerida por essa roda viva feita de carne e que come carne, como um Ouroboros que como o próprio rabo.

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